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Com a
criação recente da Integralat, a Laep Investments Ltda. - controladora
da Parmalat Brasil - consolidou sua decisão de segmentar o negócio
para otimizar os processos de gestão.
"Um dos objetivos da Integralat é manter o foco de gestão. A Parmalat
vai focar as operações nos produtos de consumo de valor agregado,
marca, distribuição, etc, e a Integralat vai trabalhar no segmento da
produtividade e baixos custos para a produção de leite", explica
Othniel Lopes, presidente da Integralat.
Apesar de ter sido criada no ano passado, será a partir do primeiro
semestre de 2009 que entrará em operação a primeira fazenda
integradora da nova companhia, no município de Unaí, em Minas Gerais.
Com o projeto das integradoras, a Integralat quer captar leite
garantindo padrão de qualidade internacional, aumentar a produtividade
de leite por animal, além de aliar a tudo isso o desenvolvimento
econômico das regiões produtoras. "Outra meta é estimular a fixação do
produtor no campo, com a geração de empregos nas fazendas
integradoras. Além disso, também irá aumentar a renda dos integrados",
continua Lopes.
A fazenda integradora de Unaí começou a ser instalada no mês passado.
A propriedade será uma espécie de centro de inteligência na região e
terá ao seu redor pequenos produtores de leite em suas 'fazendas
satélites'. Na propriedade central, que pertence à companhia, haverá
cria e recria de animais, laboratório genético, escola e a parte
administrativa da integradora.
"A primeira fase, no primeiro semestre do ano que vem, contará com 500
produtores integrados", conta o executivo. Outras duas fazendas para
desenvolvimento genético também deverão ser instaladas em Minas
Gerais, uma em Cruzília e outra na região de Bonito de Minas.
Somando quatro projetos - além dos três já citados há outra fazenda a
ser instalada em Alegrete (RS) -, os investimentos previstos para 2008
somam R$ 120 milhões. Até agora, R$ 80 milhões já foram aplicados.
Segundo Othniel Lopes, a receita da Integralat virá do leite cru
resfriado direcionado à Parmalat, da comercialização de leite em pó
para mercados interno e externo, além do fornecimento de genética para
produtores não integrados mas que forneçam o leite para a Parmalat.
Aumento de renda
O projeto de integração tem como alvo o pequeno produtor. A renda
mensal do participante, diz Lopes, deverá saltar de R$ 200 para R$ 1,5
mil.
Para ser um integrado é preciso ter a própria terra a um raio de 150
quilômetros da fazenda integradora, o tamanho ideal da propriedade é
de no mínimo 25 hectares, também é necessário que o integrado more na
fazenda com pelo menos mais uma pessoa. A exigência de moradia ocorre
porque, claro, é fundamental o acompanhamento da produção.
Também é preciso ter o que Lopes chama de pacote tecnológico mínimo:
estábulo, ordenhadeira mecânica e sistemas de tratamento de água e de
biofertilizantes. Se o produtor interessado não tiver alguns desses
equipamentos, obterá auxílio para a aquisição por meio de linhas de
financiamento de longo prazo, de bancos parceiros do projeto.
O executivo da Integralat acrescenta que o produtor pode deixar de
fazer parte do sistema caso desista de ser integrado.
Aquisição no Uruguai
A LAEP, por meio da Integralat, adquiriu recentemente por R$ 10
milhões a uruguaia Mayoria S.A., dona da fazenda El Caden -
propriedade agrícola modelo na produção de leite a pasto.
Nesse primeiro momento, o objetivo, com a aquisição, é trazer para o
Brasil a excelência genética holandesa do rebanho uruguaio. Percebe-se
que a aposta na genética será forte também por conta da compra da
brasileira In Vitro. No conceito de "barrigas de aluguel", a
Integralat já conta com aproximadamente 50 mil vacas fertilizadas.
Aliando o desenvolvimento genético às práticas de manejo adequadas, o
objetivo é maximizar a produção com o menor custo possível. Nas
propriedades, serão substituídas vacas que hoje produzem três litros
de leite por dia por outras que produzam quinze litros por dia
maximizando o pastejo e levando em conta ganhos ambientais.
Segundo a Integralat, o modelo de negócio leva em conta o tratamento e
aproveitamento de água da chuva, conversão dos detritos animais em
biofertilizantes e biogás, reciclagem de lixo e proteção e preservação
do meio ambiente.
Perfil nacional
O Brasil é o segundo país do mundo em números de vacas leiteiras (só
perde para a Índia), detém 1,3 milhão de fazendas produtoras de leite
e, mesmo somando os melhores requisitos, perde para outros países em
produção.
Para se ter idéia da baixa produtividade, enquanto uma vaca brasileira
produz, em média, 3,3 litros por dia, nos Estados Unidos essa
proporção sobe para 24 litros/dia e na Argentina para 15 litros/dia.
Em um ano, os norte-americanos produzem 80 milhões de toneladas de
leite com rebanho de 9 milhões de vacas.
O Brasil soma produção de 25 milhões de toneladas e o seu rebanho é de
21 milhões de animais, segundo dados da companhia.
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