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MONTE ALEGRE
- Duas tendências estão caminhando paralelamente na cultura do
algodão. De um lado os grandes do segmento verticalizam a produção e
fazem contratos entre si, em busca de maior agregação de valor e
rentabilidade. Por outro lado pequenos produtores, penalizados com o
forte incremento dos custos de produção, deixam a cultura.
A Icoforte, uma das maiores empresas de extração de farelo e óleo de
algodão do País, é um dos investidores focados na industrialização do
grão. Esse ano a empresa irá dobrar sua capacidade de produção,
passando de um processamento de algodão da ordem de 100 mil toneladas
por ano para 220 mil toneladas. Para a expansão da produção a empresa
está investindo inicialmente R$ 25 milhões para a construção de uma
nova planta no Município de Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia, cuja
ampliação já está prevista e orçada em mais R$ 15 milhões. "Novos
investimentos vão depender da ampliação da área de produção de algodão
na região", diz Décio Alves Barreto Júnior, diretor da Icoforte.
A empresa que é líder de mercado no Nordeste está sediada na cidade de
Juazeiro e esta será sua quarta unidade. "Agora a produção passa a
atender o mercado do Centro-Oeste, a partir de Tocantins e Goiás, e
Minas Gerais", revelou Júnior. Segundo o executivo as outras unidades
seguem atendendo o mercado do Nordeste. A Icoforte atua como
fornecedora de óleo para grandes empresas como a M.Dias Branco e a
Piraque.
A Agrofava, empresa com produção nas cidades goianas de Paracatu e
Monte Alegre, também irá instalar uma usina para extração de óleo e
farelo. Atualmente as fazendas comandadas pelos irmãos Fava possuem
uma unidade de beneficiamento de algodão, com capacidade para
beneficiar 4 mil hectares, destinado apenas a industria têxtil. "Já
está definido esse investimento para o próximo ano", afirmou Luiz
Fava, diretor da empresa.
Para Fava, essa será uma fonte mais rentável já que a demanda por óleo
é crescente na região. Em razão da alta do milho e da soja e do
câmbio, a Agrofava reduziu sua lavoura de algodão de 2,7 mil hectares
na safra passada para 1,1 mil hectares na safra atual.
"O milho e a soja têm sido mais rentáveis, além disso, o algodão é
todo para exportação e acaba sendo mais prejudicado pelo câmbio",
avalia Fava. O produtor comenta ainda a elevação dos custos de
produção em 2008, o que está penalizando, especialmente, o pequeno
agricultor que acaba sendo pressionado a deixar a cultura. "Quem pode
rotacionar as culturas consegue se organizar e garantir lucro, mas o
pequeno produtor acaba deixando a cultura com prejuízo", diz.
Fernando Prudente, gerente de algodão da Bayer CropScience, explica
que a manutenção do produtor de algodão na cultura num momento de
escala dos custos de produção é complicada porque trata-se de um
segmento no qual qualidade é um fator determinante na decisão de
compra do importador. "O algodão é a cultura em que mais se investe em
qualidade. Os recursos para implementar uma lavoura são muito altos e
para sair também, por isso o agricultor acaba dando um jeito de
continuar investindo", diz. Prudente afirma que nesse processo os
pequenos e médios produtores podem reduzir área. Até 2015 a Bayer
pretende ampliar dos atuais 80 milhões de euros para 200 milhões de
euros os recursos que destina para a sub-divisao BioScience, que cuida
de sementes e biotecnologia. No Brasil, essa divisão foca o seu
negócio de sementes nas culturas de algodão e arroz.
A produção brasileira de algodão em caroço deverá ser de 4 milhões de
toneladas, alta de 2,3%. Já o pluma terá produção 1,5 milhão de
toneladas, alta de 2,2%.
FONTE DCI
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